segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

                            FILOSOFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

 

Autor: Larissa Angélica Bontempi

Acadêmica do 2º período de Letras

 

 

 

                                                   Resumo



      
Através de pesquisa bibliográfica, fazendo um breve levantamento do histórico da educação brasileira, investigou-se algumas das razões pelas quais a disciplina de Filosofia não está inserida no currículo educacional brasileiro do Ensino Fundamental. A partir de tais razões, verificou-se também os motivos pelos quais a disciplina deve ser inserida, tomando como base as contribuições do ensino filosófico para a sociedade, do ponto de vista pessoal, social e político.

 

 

 

Palavras-chave: Educação Brasileira, Ensino Fundamental, Filosofia


 

 

Introdução



A estrutura de nossa sociedade, capitalista, pragmática e positivista, criou um sistema educacional que desconsidera a filosofia nos currículos escolares, e que apenas repassa informações e reproduz conhecimentos estáticos e acabados. O objetivo: criar uma massa de crianças e jovens sem consciência do papel que poderiam desempenhar na sociedade.
A importância da filosofia nas etapas de formação, particularmente de crianças e adolescentes é vista, em muitos ambientes, sob forte ceticismo. Existe, porém, um grave equívoco, pois, na verdade, a filosofia, de alguma forma, é fundamentalmente presente e tem muito a ver com o passado, o presente e o futuro de nossa sociedade e de nossa cultura.
Falar do ensino da Filosofia, da sua importância, da luta pela autonomia, é pensar em mudança cultural, em mudança de visão de mundo, de paradigmas. O ensino da Filosofia requer que estejamos abertos ao novo, à experiência vivida pelas pessoas, sempre tendo presente uma tradição de pensamentos filosóficos. Afinal, "os filósofos convivem conosco". Assim, havendo uma mudança de mentalidade, de forma de pensar, via educação, teremos uma mudança política.
Partindo do pressuposto de que a reflexão é uma habilidade essencialmente humana, não sendo possível confundi-la com informações técnicas e ações previamente determinadas, a pesquisa tem como principal objetivo falar do ensino da filosofia, relatando sua importância e as razões pelas quais deve ser praticado, visando compreender a contribuição do ensino filosófico para a vida pessoal, social e política de crianças e adolescentes.



   Por que ensinar filosofia?


O ensino da Filosofia historicamente nunca teve garantido efetivamente sua presença na estrutura educacional brasileira. Pela História da Educação vê-se que esteve à mercê de interesses. Sempre se declarou a sua importância, mas sua efetivação como campo de saber e espaço de produção na escola nunca foi valorizada.
Buscar um ensino filosófico, condizente com a idade, dentro das experiências, aberto à dúvida, à angústia, ao novo, isto é, um ensino que questione as certezas, o instituído, que capacite para a reflexão e para as mais diversas leituras e posicionamentos tomados diante dos fatos (tudo que desperta para uma instrumentalização da crítica e da ampliação do universo experiencial e visão do mundo), é querer uma Filosofia viva.
Vivemos tempos de globalização, de homogeneização, isto é, procura-se unidade de pensamento, o consenso no livre mercado e na democracia representativa. Com efeito, os critérios de normalidade vigentes na esfera da ética, da política, nunca foram tão diferentes como hoje as diferenças de classe, de cultura, de raça, de gênero.
A uma educação para a resistência, se opõe uma educação para a docilidade, para a obediência. Ambas as qualidades são pouco interessantes para a pratica da filosofia com crianças e professores em, pelo menos, dois sentidos. Por um lado porque a própria filosofia não poderia crescer se fosse praticada por sujeitos dóceis e obedientes. Por outro lado porque a docilidade e a obediência obstaculizam o exercício da liberdade na autodeterminação do ser e do fazer do sujeito.
Portanto, filosofar dentro da estrutura escolar com as crianças, é capacitá-las para debater, confrontar idéias, prepará-las para a dúvida, para o não conformismo diante dos fatos, para a negação; é buscar uma participação no processo de criação do indivíduo, de uma nova relação entre as pessoas, das instituições e os seus porquês.
Por esse panorama e essa forma de entender o espaço do ensino filosófico no currículo escolar, pode-se justificar por que a inclusão da Filosofia sempre foi alvo de muitas discussões, incertezas, medos, indeterminações e desculpas.



                                             Conclusão


Impossível falar em educação sem falar em filosofia. Ainda que de forma inconsciente, a filosofia é vivenciada dia a dia, e orienta o indivíduo tanto na aquisição da concreta visão da vida, seus valores e significados; quanto sob a conduta humana em geral.
Chega-se assim na idéia kantiana de aufklãrung, do esclarecimento, da maioridade: A criança e o jovem devem aprender a pensar, isso significa sair da menoridade. Estarão sempre na menoridade quando não quiserem pensar por conta própria, não quiserem viver autonomamente. Menoridade é depender do outro para pensar.
Diante de todo o exposto, conclui-se que não existe educação sem associação filosófica; educar, ensinar, torna-se sinônimo de filosofar, pois educação significa condução, orientação.
O educador deve estar preparado para os desafios de cada realidade, e cabe a ele levar o educando a adquirir conhecimentos através de indagações, dos como e porquês, e não apenas reproduzir conhecimentos pré-fabricados e inquestionáveis.


                                      Referências bibliográficas

ARANHA, Maria Lucia de Arruda. História da Educação. 2ª ed, São Paulo: Moderna, 1998.
LIPMAN, Matthew. A Filosofia vai à escola. São Paulo: Summus, 1990.
JASPERS, K. Iniciação Filosófica. Lisboa: Guimarães, 1977.










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