domingo, 11 de dezembro de 2011



SUMÁRIO



JOGOS E BRINCADEIRAS: DESAFIOS E DESCOBERTAS (2ª EDIÇÃO)




PROPOSTA PEDAGÓGICA................................................................................................ 03

Cristina Laclette Porto



PGM 1 - PENSANDO A INFÂNCIA E O DIREITO DE BRINCAR............................................. 12

Patrícia Corsino



PGM 2 - O BRINQUEDO COMO OBJETO DE CULTURA....................................................... 25

Cristina Laclette Porto



PGM 3 - BRINCADEIRA OU ATIVIDADE LÚDICA?................................................................ 33

Cristina Laclette Porto



PGM 4 - JOGOS E BRINCADEIRAS NO CONTEXTO ESCOLAR........................................... 48

Tânia Vasconcellos



PGM 5 - A FORMAÇÃO LÚDICA DO PROFESSOR............................................................... 57

Cyrce Andrade




















JOGOS E BRINCADEIRAS: DESAFIOS E DESCOBERTAS    2 .


PROPOSTA PEDAGÓGICA


Cristina Laclette Porto1


Apresentação



A série Jogos e brincadeiras: desafios e descobertas (2ª edição), que será apresentada pela TV Escola, no programa Salto para o Futuro, de 12 a 16 de maio, é composta por cinco programas que pretendem oferecer caminhos para o aprofundamento das reflexões sobre a criança, os brinquedos, as brincadeiras e os jogos, abordando projetos na área de educação que valorizam esses temas e que encontraram formas de incorporá-los. As brinquedotecas são um exemplo.


Vivi a experiência de coordenar, durante 16 anos (1990-2006), uma das primeiras brinquedotecas criadas no Rio de Janeiro. A Brinquedoteca Hapi (palavra do idioma dos índios ianomâmi que significa entrada, passagem) funcionou durante 14 anos nos jardins do Museu da República.


As crianças podiam brincar e levar brinquedos emprestados. O acervo era constituído de brinquedos doados ou comprados. Sacos repletos de jogos, brinquedos e objetos inusitados nos chegavam como doações que revelavam muitas surpresas. As apropriações que crianças e adultos faziam dos brinquedos e das brincadeiras eram plenas de significados, que exigiam um conhecimento profundo para decifrá-los. A equipe atuava brincando quando solicitada; apresentando brincadeiras tradicionais, brinquedos e jogos diversos; respeitando o desenrolar das brincadeiras escolhidas pelas crianças; contando histórias; desenhando, pintando, e construindo junto. No começo de nossa história, espaços como esse, dedicados aos brinquedos e ao ato de brincar, eram raros.

 Foi ao longo dos últimos anos que o debate sobre a importância e sobre o direito de brincar se intensificaram e provocaram o surgimento de brinquedotecas em creches, escolas e hospitais.

JOGOS E BRINCADEIRAS: DESAFIOS E DESCOBERTAS    3 .

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CONSELHO PLENO

RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1, DE 15 DE MAIO DE 2006. (*)

Institui  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  para  o

Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura.

O Presidente do Conselho Nacional de Educação, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 9º, § 2º, alínea “e” da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, com a redação dada pela Lei nº 9.131, de 25 de novembro de 1995, no art. 62 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e com fundamento no Parecer CNE/CP nº 5/2005, incluindo a emenda retificativa constante do Parecer CNE/CP nº 3/2006, homologados pelo Senhor Ministro de Estado da Educação, respectivamente, conforme despachos publicados no DOU de 15 de maio de 2006 e no DOU de 11 de abril de 2006, resolve:

Art. 1º A presente Resolução institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura, definindo princípios, condições de ensino e de aprendizagem, procedimentos a serem observados em seu planejamento e avaliação, pelos órgãos dos sistemas de ensino e pelas instituições de educação superior do país, nos termos explicitados nos Pareceres CNE/CP nos 5/2005 e 3/2006.

Art. 2º As Diretrizes Curriculares para o curso de Pedagogia aplicam-se à formação inicial para o exercício da docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, e em cursos de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.

§  1º Compreende-se a docência como ação educativa e processo pedagógico metódico

e intencional, construído em relações sociais, étnico-raciais e produtivas, as quais influenciam conceitos, princípios e objetivos da Pedagogia, desenvolvendo-se na articulação entre conhecimentos científicos e culturais, valores éticos e estéticos inerentes a processos de aprendizagem, de socialização e de construção do conhecimento, no âmbito do diálogo entre diferentes visões de mundo.

§   2º O curso de Pedagogia, por meio de estudos teórico-práticos, investigação e reflexão crítica, propiciará:

I - o planejamento, execução e avaliação de atividades educativas;
II - a aplicação ao campo da educação, de contribuições, entre outras, de conhecimentos como o filosófico, o histórico, o antropológico, o ambiental-ecológico, o psicológico, o lingüístico, o sociológico, o político, o econômico, o cultural.

Art. 3º O estudante de Pedagogia trabalhará com um repertório de informações e habilidades composto por pluralidade de conhecimentos teóricos e práticos, cuja consolidação será proporcionada no exercício da profissão, fundamentando-se em princípios de interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade afetiva e estética.

Parágrafo único. Para a formação do licenciado em Pedagogia é central:
I - o conhecimento da escola como organização complexa que tem a função de promover a educação para e na cidadania;

II - a pesquisa, a análise e a aplicação dos resultados de investigações de interesse da área educacional;
III - a participação na gestão de processos educativos e na organização e funcionamento de sistemas e instituições de ensino.

(*)  Resolução CNE/CP 1/2006. Diário Oficial da União, Brasília, 16 de maio de 2006, Seção 1, p. 11

FÉRIAS Educação em todo lugar

Texto Camilo Gomide

Foto: Omar Paixão

Criança e pai pedalando

"Não é só indo na escola que se aprende. Crianças e jovens podem aprender com avós, tios e até mesmo entre eles"

Não é só na escola que descobrimos coisas novas. O aprendizado pode acontecer em qualquer lugar e não é necessariamente algo chato ou metódico. Em linhas gerais, aprender significa colocar em prática um novo conhecimento, seja uma receita de bolo, seja o nome de uma árvore, seja uma música ou seja um conceito de física. "Em geral, o aprendizado acontece da seguinte maneira: observamos algo desconhecido, manipulamos, organizamos, classificamos e utilizamos esse conhecimento em situações novas", explica Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da faculdade de Educação da PUC-SP.
Por meio de uma brincadeira, por exemplo, a criança pode aprender habilidades sociais que serão fundamentais na vida adulta. "Na brincadeira a criança fica ativa tanto mentalmente quanto fisicamente. É uma forma de ela interagir, aprender a seguir regras, contestar e desenvolver autonomia", diz Maria Ângela, que também coordena o núcleo de cultura e estudos do brincar da PUC-SP. É por isso que, durante as férias, também é possível aprender muito - seja em viagens, seja em passeios na própria cidade, seja em casa: lendo um livro ou jogando cartas com os amigos. Em sala de aula, o aprendizado passa por um planejamento, fora dela acontece naturalmente, é absolutamente informal, mas não menos importante. "Não é só indo na escola que se aprende. Crianças e jovens podem aprender com avós, tios e até mesmo entre eles", diz a professora.
Os pais, por sua vez, têm um papel fundamental na aprendizagem dos filhos. "Ouvir músicas juntos, ler livros, andar de bicicleta, além de ensinar, estabelece vínculos maiores entre pais e filhos", diz Maria Ângela Barbato Carneiro. Dependendo da abordagem usada pelos pais, uma visita ao museu pode ser muito divertida. "Não podemos adotar um discurso chato e professoral na hora de levar crianças e jovens a cinemas, museus e teatros. É preciso associar esses programas ao lazer", diz Verônica Dias, professora de cinema e televisão da PUC. O segredo é respeitar o tempo do jovem e da criança.
À medida que o jovem vai criando um repertório, é legal oferecer mais diversidade, sem forçar nada, é claro. Se ele só comer arroz e feijão não saberá que gosta de macarrão. A única maneira de alguém descobrir se gosta de uma atividade é experimentando. "As pessoas só se interessam por aquilo que têm contato. A criança e o jovem não vão gostar de livros, museus e filmes se não forem apresentados a esse universo", diz Verônica Dias, professora de cinema e televisão da PUC.
Mas espera aí? Férias não são para descansar? O descanso não é importante para a mente relaxar e ficar pronta para novos conteúdos? "Sim, a criança nas férias também tem de brincar, ficar em casa e com os amigos", diz Luciana Fevorini, coordenadora pedagógica do ensino fundamental e médio do Colégio Equipe. Mas há crianças que têm energia demais pra ficarem paradas
. O mais importante nesse período é não forçar a nada e deixá-las escolher o que vão fazer. Dessa maneira, elas poderão aproveitar e aprender mais.

fonte:http://educarparacrescer.abril.com.br