quinta-feira, 12 de julho de 2012

Entrevista: Combater o Trabalho Infantil ainda é um desafio

Arte da Campanha lançada durante a conferência

Por Stephany Rodrigues Pinho, adolescente participante da cobertura Educomunicativa da Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Maranhão

Durante o Lançamento da Campanha Contra o Trabalho Infantil, a cobertura educomunicativa da Conferência Estadual ouviu duas integrantes do Fórum Estadual de Prevenção e Erradicaçao do Trabalho Infantil no Maranhão: Mônica Damous Duailibe, auditora fiscal do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego e Luana Lima Duarte, procuradora do trabalho e integrante suplente da Coordenação da Infância do Ministério Público do Trabalho. A auditora fiscal, Monica Duailibe, abordou os dados da campanha e as situações de trabalho infantil vivenciada por milhões de crianças e adolescentes. Já a procuradora Luana Lima falou sobre direito à profissionalização e proteção ao trabalho, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Acompanhe abaixo a entrevista com as integrantes do Fepetima.

O que os dados da pesquisa mostram sobre o trabalho infantil no Maranhão?

Monica Duailibe:  Olha, nós temos avançado nos últimos quinze anos. Não só no Maranhão, mas no Brasil de forma geral, sobretudo no trabalho entre cinco e quinze anos. Mas o que acontece, apesar de nos termos reduzido em torno de 50% a quantidade de criança e adolescente em condições de trabalho, nós ainda temos algumas questões que nós chamamos de “núcleo duro do trabalho infantil”. E o que é esse núcleo do trabalho infantil?  É o trabalho infantil em regime de economia familiar, sobretudo no meio rural; é o trabalho infantil no comércio ambulante nos centros urbanos; é o trabalho infantil no ambiente doméstico, e aí afeta principalmente as meninas. E a situação ainda mais grave que é a exploração sexual de crianças e adolescentes. Então, nos tivemos grandes avanços, por exemplo, hoje, no setor formal da economia. Nos estabelecimentos formais, a incidência de trabalho infantil no Brasil hoje é muito pequena, é residual realmente. Porém, no conjunto, nós ainda temos essa incidência relativamente elevada, hoje está em torno de dois milhões de crianças, entre cinco e quinze anos, trabalhando em regime de economia familiar, nos centros rurais. Nós ainda temos muitas crianças e adolescentes trabalhando na economia informal nos centros urbanos.

É como enfrentar esta situação?

Monica Duailibe: Nestes casos, é difícil a atuação do Ministério do Trabalho, porque não vai ser uma politica de fiscalização, mas de assistência à família e a essas crianças e adolescentes. A atuação do Estado tem que ser no sentido de trazer essas crianças e adolescentes de volta pra família e viabilizar oportunidade de trabalho emprego para os membros adultos dessa família, de tal forma que não seja necessário que esses meninos e meninas retornem para a rua, para trabalhar no comércio ambulante, urbano, por exemplo.

Nós ainda temos um problema grave do trabalho infantil doméstico e nós não temos sequer dados precisos em relação a isso, mas nos sabemos que esse é um problema relevante, sobretudo no nordeste, onde atinge principalmente meninas. E nós temos a atividade criminosa que é a exploração sexual de crianças e adolescentes e esse é um problema realmente muito sério e que hoje o Estado brasileiro tem se debruçado sobre essa questão porque ela envolve inclusive crimes relacionados ao tráfico de pessoas, ao tráfico de entorpecentes e outras questões.

Como você explica o trabalho de adolescentes com carteira assinada?

Luana Lima Duarte: Em relação ao trabalho infantil, nos temos que distinguir o âmbito da infância e da adolescência: a criança ela tem direito ao não-trabalho e o adolescente tem direito a profissionalização. Dessa forma, em termos de legislação brasileira, nos temos o seguinte: até os 16 anos, a proibição do trabalho infantil é a regra. A partir dos 16 anos o trabalho é permitido parcialmente desde que observada toda a legislação trabalhista: carteira assinada, direitos previdenciários e que o trabalho não seja desenvolvido em determinadas atividades que são prejudiciais ao desenvolvimento psíquico, físico ou moral do adolescente.
Por exemplo, é proibido ao adolescente entre os 16 e 18 anos o trabalho perigoso, noturno, insalubre e, ainda, o trabalho incluído na lista de piores trabalhos infantis. O trabalho infantil doméstico, que é muito comum ainda e que é subnotificado. Temos o trabalho nas ruas, temos o trabalho em atividades ilícitas: a exploração sexual comercial, tráfico de drogas, utilização de crianças e adolescentes em atividades ilícitas, em trabalhos que sejam prejudiciais a moralidade, e ao desenvolvimento.

Ainda existe outra situação na qual o menor de 18 anos pode trabalhar: na condição de aprendiz, que é justamente para implementar esse direito a profissionalização. Pois o adolescente já está mais próximo de completar a idade mínima para o trabalho. Qual é a forma legal? A Constituição permite que o adolescente a partir dos 14 anos trabalhe na condição de aprendiz. Mas o que é essa condição de aprendiz?  É um contrato formal, com carteira assinada, onde lhe é garantido uma formação profissional metódica, que é ministrada por uma entidade reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que tem toda uma grade curricular voltada pra capacitação ao exercício de uma profissão no futuro. Então ele conjuga as duas coisas, a capacitação metódica, por uma instituição reconhecida e no Brasil. Os que têm maior destaque são SENAI, SENAC, os serviços sociais da indústria, do comercio, serviço de aprendizagem rural, entre outros. Aí, ele conjuga essa capacitação teórica com a prática na empresa. A empresa por sua vez tem que assinar a carteira, recolher o FGTS e observar toda a legislação trabalhista. É o tipo de trabalho em que o adolescente tem os seus direitos resguardados e que também proporciona o direito a profissionalização.

E qual o lugar da escola neste contexto?

Luana Lima Duarte: A escola é um espaço fundamental de conscientização em relação ao trabalho infantil. No âmbito do Ministério Público do Trabalho (MPT), reconhecendo está importância, nós temos um projeto chamado “MPT na Escola” que visa justamente levar este debate do combate ao trabalho infantil à sala de aula. Nós ministramos a capacitação para os professores e, ao longo do ano letivo, eles desenvolvem este tema na escola, juntamente com as crianças. As crianças e adolescentes precisam, enquanto sujeitos de direitos, ser conscientes de quais direitos eles são titulares. E também levar esta discussão à família, pois ela, muitas vezes, encara o trabalho infantil ou o trabalho irregular do adolescente, fora das situações em que é legalmente permitido, como uma alternativa para ajudar na subsistência. Mas a família tem que se conscientizar que o trabalho infantil e o trabalho proibido não são alternativas. Mas um fator de subtração, de negação de direitos. A família tem que entender que quando ela não pode prover estes direitos, ela tem que exigir do estado a implementação de políticas públicas de assistência e principalmente de geração de renda aos membros adultos para não transferir essa responsabilidade para a criança e ao adolescente.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

ESTUDANDO GEOMETRIA

Geometria é a parte da Matemática que estuda as formas e as medidas. Iremos estudar as figuras geométricas e a relação existente entre os elementos existentes à nossa volta.

A Geometria tem um papel muito importante em nossa vida. Basta você verificar a grande quantidade de figuras geométricas com as quais precisamos lidar todos os dias, medindo e estabelecendo relações entre suas partes.

PONTO, ESPAÇO E PLANO

Daniel olhou pro céu. A primeira estrela brilhava. Era apenas um ponto na imensidão. Lembrou–se então de um professor de matemática com quem aprendeu muita coisa.

Ele dizia a seus alunos, que o ponto geométrico não possui dimensões, não tem comprimento, altura ou largura.

O professor Yuri explicou certa vez que GEOMETRIA é uma palavra proveniente do grego e significa “MEDIDA DE TERRA”. Ela surgiu pela necessidade do homem de entender melhor o mundo em que vive, as formas e dimensões dos corpos nele existentes.

A necessidade de melhorar o sistema de arrecadação de impostos das áreas rurais, fez com que os antigos egípcios dessem os primeiros passos para o desenvolvimento da disciplina.

Todos os anos o rio Nilo extravasava as margens e inundava toda região a sua volta, destruindo as marcas físicas de delimitação entre as possessões de terra. Dessa forma, havia conflitos entre indivíduos e comunidades sobre o uso dessa terra não delimitada.

Sem marcos fronteiriços, os agricultores e administradores de templos, palácios e demais unidades produtivas fundadas na agricultura não tinham referência clara do limite das suas possessões para poderem cultivá-la e pagarem os impostos devidos aos governantes.

Os antigos faraós resolveram passar a nomear funcionários, os agrimensores, cuja tarefa era avaliar os prejuízos das cheias e restabelecer as fronteiras entre as diversas posses. Foi assim que nasceu a geometria. Estes agrimensores, ou esticadores de corda (assim chamados devido aos instrumentos de medida e cordas entrelaçadas concebidas para marcar ângulos retos), acabaram por aprender a determinar as áreas de lotes de terreno dividindo-os em retângulos e triângulos.

Dessa forma, para ajudar a estabelecer os limites, foram determinados pontos os quais ajudavam na delimitação dos terrenos.

O conjunto de todos os pontos é denominado de pontos.

O espaço é denominado de plano.

O plano por sua vez, é um conjunto infinito de pontos.

Acredita-se em geral que a origem da geometria se situa no Egito, o que é natural, pois, para a construção das pirâmides e outros monumentos desta civilização, seriam necessários conhecimentos geométricos. Estudos mais recentes contrariam esta opinião e referem que os egípcios foram buscar aos babilônios muito do seu saber.

1. Você seria capaz de escrever um acróstico com a palavra GEOMETRIA?

G

E

O

M

E

T

R

I

A

2. Este é um geoplano com vários pontos. Usando sua criatividade, termine o desenho começado pela professora.

clip_image002

3. No desenho podemos identificar várias figuras geométricas. Observe o quadro e responda as questões a seguir:

clip_image004

a) Quantos triângulos? ________________________

b) Quantos retângulos? ________________________

c) Quantos círculos? ________________________

d) Quantos quadrados? ________________________

4. Que outras formas você pode identificar?

LINHAS E CURVAS

Quando deslizamos um lápis sobre o papel, fazemos uma linha. Dependendo do movimento que fazemos, esta linha tem um nome diferente.

As linhas podem ser retas, curvas, onduladas ou mistas.

Em geometria, temos linhas simples e complexas.

Linhas simples são formadas por linhas retas e curvas.

Linhas complexas são formadas por linhas onduladas, quebradas e mistas.

Uma linha pode ter varias direções e sentidos e, em cada caso, expressa algo diferente.

Por exemplo:

A linha ondulada nos da a ideia de movimento, ritmo, graça.

clip_image005

A linha quebrada nos da a ideia de ação, forca. É uma linha forte, agressiva.

clip_image007

A linha mista nos da a ideia de retas e curvas que se combinam, representando uma variedade dessas linhas.

clip_image009

CURVAS

clip_image011Considerando a figura abaixo, podemos dizer que representamos um caminho que vai do ponto A até o ponto B.

Se usássemos uma régua, estaríamos também representando um caminho que vai do ponto A até o ponto B.

clip_image012

Na figura abaixo estão representadas três curvas. Qual delas é a mais curta?

clip_image014

ATIVIDADES:

1. Cubra de amarelo as linhas retas e de vermelho as linhas curvas.

clip_image016

clip_image0182. Pinte de roxo as linhas curvas e de verde as linhas retas.

clip_image019

LINHAS ABERTAS E LINHAS FECHADAS

clip_image021

A linha fechada é a fronteira. A fronteira que separa o interior do exterior

CURVAS SIMPLES: são aquelas que não têm cruzamentos.

clip_image023

CURVAS NÃO SIMPLES: são aquelas que têm cruzamentos.

clip_image025

AS CURVAS ABERTAS SIMPLES

Abertas sem cruzamentos

clip_image027

ABERTAS NÃO SIMPLES

Abertas com cruzamentos.

clip_image029

FECHADAS SIMPLES:

fechadas sem cruzamento

clip_image031

FECHADAS NÃO SIMPLES:

fechadas com cruzamentos.

clip_image033

ATIVIDADES:

Observe as figuras e responda:

clip_image035

1. Quantos cruzamentos há na figura a? __________________________________

É uma curva _____________________________

2. Quantos cruzamentos há na figura b?

___________________________________

É uma curva _____________________________

3. Quantos cruzamentos há na figura c? ______

É uma curva _____________________________

4. Quantos cruzamentos há na figura d?

______________________________________

É uma curva _____________________________

5. Quantos cruzamentos há na figura d? ______

É uma curva _____________________________

ABERTAS NÃO SIMPLES

Abertas com cruzamentos.

clip_image036

FECHADAS SIMPLES:

fechadas sem cruzamento

clip_image037

FECHADAS NÃO SIMPLES:

fechadas com cruzamentos.

clip_image038

ATIVIDADES:

Observe as figuras e responda:

clip_image039

1. Quantos cruzamentos há na figura a? __________________________________

É uma curva _____________________________

2. Quantos cruzamentos há na figura b?

___________________________________

É uma curva _____________________________

3. Quantos cruzamentos há na figura c? ______

É uma curva _____________________________

4. Quantos cruzamentos há na figura d?

______________________________________

É uma curva _____________________________

5. Quantos cruzamentos há na figura d? ______

É uma curva _____________________________

clip_image041

clip_image042

clip_image044clip_image045

sábado, 7 de julho de 2012

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

CONCEITO

Podemos dizer que a educação para o trânsito é o desenvolvimento das faculdades intelectuais, morais e físicas do homem, formando a inteligência e o espírito do ser humano para viver, conviver e se relacionar no trânsito.

A IMPORTÂNCIA

Quando da elaboração da Constituição Federal de 1988 (arts. 6º e 23, XII), os legisladores já demonstravam a preocupação e a importância da educação para o trânsito dentro do contexto social, dando atribuições à União, Estados, Municípios e o Distrito Federal, assim como, o CTB dedica um capítulo ao tema (capítulo VI, arts. 74 a 79), dando essa atribuição prioritária a todos os órgãos componentes do Sistema Nacional de Trânsito, fato esse ratificado no artigo 5º.

O CTB ainda no seu artigo 320, determina que a receita arrecadada com a cobrança de multas de trânsito deverá ser aplicada, além de outras coisas, na educação para o trânsito.

Mais do que nunca, a escola deve participar ativamente da educação para o trânsito, pois as crianças de hoje serão os jovens e homens do futuro, serão eles os usuários e mantenedores do trânsito, capazes de transformarem essa realidade. Essa educação para o trânsito, além de ensinar regras, técnicas, métodos de prevenções de acidentes, deve ter a preocupação em tornar as pessoas cidadãs, pois vivemos em sociedade, e essa preocupação deve ser a curto, médio e longo prazo, porque a complexidade dos fatores que geram esses problemas não admitem uma só linha de pensamento e trabalho.

  Como disse o educador Paulo Freire "A educação não é a solução, mas não há solução sem a educação", a educação não é para acabar com as comodidades oferecidas pelos veículos e sim para adequar o uso dessas "facilidades" de forma racional e conscientizada pela sua importância na nossa vida atual, de que sua convivência com os veículos será de forma organizada e saudável, pois ele foi criado para servir ao homem e não para destruí-lo.

A educação para o trânsito é um dos mais importantes espaços do saneamento viário e visa instruir a população quanto:

· À técnica da circulação viária;

· Aos riscos do trânsito;

· As causas e consequências dos acidentes;

· Correção de atitudes frente ao tráfego, seja o indivíduo pedestre ou condutor;

· A conscientização para a prevenção de acidentes;

· Conhecimento das leis de trânsito;

· O usuário do trânsito como cidadão;

· Estimular a pesquisa sobre segurança e educação para o trânsito.

A EDUCAÇÃO NO CONTEXTO TRÂNSITO

                    Em várias partes do mundo o trinômio educação, engenharia de tráfego e policiamento, já comprovaram através de estatísticas que, quando trabalhados em harmonia, conjunto e equilíbrio, é possível solucionar, diminuir e até acabar com problemas ligados ao trânsito. Dizemos que esse trinômio está composto de: Esforço Legal (legislação, justiça e policiamento), engenharia de tráfego e educação, mas já se começa a incluir o meio ambiente, formando então um quadrinômio.

ANÁLISE DOS CONDUTORES E PEDESTRES

Antes de analisarmos os condutores e pedestres, vamos lembrar que eles são primeiramente, cidadãos. E o que ocorre com o cidadão? Como ele se comporta no trânsito? Ele conhece e obedece as leis de trânsito? Acha que existem privilégios no trânsito? Para quem? São perguntas que todos nós deveríamos fazer à nossa consciência.

O PERFIL DOS CONDUTORES

É muito importante uma análise sobre o perfil dos condutores, pois isso poderá definir o seu comportamento ou a mudança desse comportamento no trânsito e suas oscilações perante algumas situações enfrentadas no trânsito, além de ajudar no serviço de Policiamento e fiscalização de trânsito realizado pelo Policiais e agentes, pois, a partir desse conhecimento, todos terão condições de melhor agir, frente às diversas situações que irá encontrar durante o serviço ou no relacionamento com os condutores de veículos. Resumidamente, podemos listar:

· O caráter

· A cultura

· A educação

· O conhecimento das leis de trânsito

· O respeito às leis de trânsito

a) O CARÁTER

Podemos dizer que é o conjunto de traços particulares de uma pessoa, são as qualidades inerentes a essa pessoa como a honradez, honestidade, dignidade, integridade, entre outras, que podem ser expressas de várias formas, boas ou não. Portanto, mais do que nunca o cidadão ou usuário do trânsito deve manter a serenidade, equidade em suas ações (mesmo quando tiver de aplicar uma penalidade a um condutor no caso dos agentes), pois sabe que cada pessoa possui seus traços particulares e vão agir e se comportar de formas diferentes em cada situação ou até com o próprio agente, não sendo motivo para que as nossas ações sejam de represália ou de caráter vingativo.

b) A CULTURA

A civilização, o progresso e a vida do homem em sociedade formaram, ao longo do tempo, comportamentos intrínsecos a essa civilização. Comportamentos e conhecimentos que vão sendo passados ao longo das gerações, formando a cultura desse grupo em sociedade, ficando o tempo encarregado em transforma-las. A cultura existe e se expressa de várias formas, seja musical, tradições, folclores, etc. Esses comportamentos e conhecimentos vão sendo transmitidos da forma mais solidificadora e perigosa que existe: direto no inconsciente. Nossa cultura, como indivíduo, é formada sem percebermos, nos pequenos gestos, nos exemplos que entram no inconsciente sem nos darmos conta, no dia-a-dia de nossas vidas. A cultura do trânsito não foge a essa regra, foi formada ao longo do tempo dessa forma, verdade que de forma errônea, mas ela já esta presente nas pessoas (seja condutor ou não), contudo, temos ainda tempo e condições de transforma-la, se desde já tomarmos consciência que podemos mudar essa situação, pois nossa cultura do trânsito é relativamente nova, e ainda há tempo de ser trabalhada para melhor.

c) A EDUCAÇÃO

Como já vimos, a educação é um importante instrumento formador do perfil do condutor e pedestre, seja intelectual, moral e físico. Se as pessoas, principalmente as crianças e jovens, recebessem informações, conhecimentos, e orientações ligadas à sua formação pessoal e, ao mesmo tempo, recebessem os conhecimentos de trânsito, suas atitudes seriam bem diferentes às atuais ao conduzirem veículos e ao serem pedestres, fazendo com que a pessoa fosse, antes da mais nada, um cidadão.

d) O CONHECIMENTO DAS LEIS DE TRÂNSITO

Uma das causas mais comuns quando do cometimento de infrações de trânsito, deve-se ao fato dos condutores desconhecerem as leis de trânsito como um todo. seu conhecimento normalmente resume-se às situações rotineiras e usuais ou aquelas veiculadas nos meios de comunicação ou por ouvir dizer. Para a lei, se uma pessoa possui a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), significa dizer que ela esta habilitada a conduzir veículos (dentro de sua categoria) e que conhece toda a legislação atinente a ele condutor. Como já foi discutido, a falta de rigor na concessão da CNH, faz com que pessoas não preparadas para conduzir veículos, tenham permissão para dirigir, e isso, nunca será justificativa para que um condutor cometa uma infração de trânsito alegando que a desconhece. Pior acontece com o pedestre, pois diferente do condutor, ele não tem, em nenhum momento da sua vida, a necessidade em obter algum conhecimento sobre trânsito, pois, regra geral, essa necessidade surge quando dos exames para obtenção da CNH. Um condutor e pedestre que conhece as normas gerais de circulação e conduta, sinalização, e, principalmente, os deveres e proibições, será um usuário que terá uma postura mais correta e mais segura de se comportar no trânsito. É necessário incutir nas pessoas, que o conhecimento das leis de trânsito não é somente necessário para os que se interessarem em dirigir veículos (normalmente quando chega a época de "tirar" a CNH), é e será sempre necessário para todos.

e) RESPEITO AS LEIS DE TRÂNSITO

Uma importante observação a ser feita, é a diferença entre condutores e pedestres conhecerem as leis de trânsito e não respeita-las. Não basta apenas conhecer as leis de trânsito, é preciso que as pessoas tomem consciência da necessidade em respeitá-las, pois senão, de nada adiantará conhecer as regras, se elas não são seguidas. É a partir desse ponto, que a educação para o trânsito (principalmente nas escolas) deve entrar em cena, instruindo o usuário (condutor, passageiro e pedestre) sobre o que é necessário ele saber, ao tempo em que cria mecanismos, para que esse usuário tenha consciência da importância em se conhecer as leis de trânsito e, sobretudo, passe a respeitá-las.

AS PERSONALIDADES DOS CONDUTORES E PEDESTRES

Cada pessoa possui a sua maneira de agir, sentir, reagir e de se comportar nas diferentes situações que lhe acontece. A personalidade podemos dizer, é o caráter essencial e exclusivo de uma pessoa, sendo necessário sabermos que, principalmente no trânsito, os usuários podem apresentar diferentes formas de comportamento, para uma mesma situação, devendo então estar preparados para lidar com essas situações.

a) A AGRESSIVIDADE NO TRÂNSITO

Nos dias atuais, a agressividade das pessoas, expressada das mais diferentes formas, esta cada vez mais presente no relacionamento das pessoas e percebemos isso, nos noticiários (escritos e falados) que, apenas informam a nossa realidade. As causas são inúmeras e maiores são as consequências, e é no trânsito que essa agressividade é liberada pelas pessoas, seja na forma de dirigir o veículo, de se comportar no trânsito, nos acidentes, nas brigas e até na ocorrência de homicídios.

b) MUDANÇAS DE COMPORTAMENTOS NO TRÂNSITO

O trânsito funciona, muitas vezes, como descarrego das frustrações, angustias, raivas dos seus usuários, como também, é nele que essas pessoas dirigem veículos como se estivessem dentro de um carro de Fórmula 1, e "realizam" outros tipos de sonhos. Nas ruas existem todos os tipos de pessoa, as desligadas, as tímidas, as agressivas, temperamentais, as medrosas, as que passam por problemas particulares, as que estão tomando drogas medicamentosas ou não, etc., são pessoas que ao assumirem a direção de um veículo ou passam a andar pelas ruas, por algum fator, mudam seu comportamento, agindo de maneira diferente. Se, por exemplo, um condutor que normalmente é calmo e obedece as leis de trânsito, determinado dia está atrasado para uma importante reunião de negócios, com certeza a sua forma de se comportar na direção do veículo não será a normal, ele pode agir agressivamente, invadindo sinal, com excesso de velocidade, pondo em risco a vida de outras pessoas, entre outras coisas. O usuário do trânsito e você agora, sabedor da existência desses tipos de condutores (e pedestres também), não deve assimilar essas atitudes tempestuosas, pois senão, a tendência é incorporar essa agressividade e descarrega-la nos outros usuários, não sendo a maneira correta de agir, devemos agir sempre com a razão e serenamente, evitando atritos ou alimentando esse sentimento nessas pessoas.

c) AS FOBIAS NO TRÂNSITO

Algumas pessoas por algum motivo, que normalmente a psicologia explica, possuem medo de alguma coisa, de ficar no escuro, velocidade, trauma de algum acidente, atravessar uma rua, dirigir a noite, etc., e para essas pessoas, o trânsito oferece algumas situações onde essas fobias são afloradas, fazendo com que venham a mudar a forma de conduta e, também, de comportamento dessas pessoas no trânsito, como por exemplo, quando se deparam com um túnel ou uma ponte estreita e alta.

d) O EGOÍSMO

O mundo moderno, a cada dia, vem fortalecendo uma sociedade egoísta, que aos poucos, vem fazendo com que o homem tenha apenas amor a si próprio, esquecendo que suas ações egoístas, um dia podem voltar-se contra ele. No trânsito, percebemos bem essa postura egoísta dos condutores e pedestres, onde cada um só pensa em si mesmo, seja para estacionar o veículo em uma vaga ou em um lugar proibido, prejudicando o tráfego de veículos e pedestres, causando engarrafamentos nas portas das escolas, estacionando em fila dupla, achando sempre que não teve culpa pois "foi só por um minutinho". Esse tipo de comportamento, faz apenas com que a circulação de veículos e pedestres seja de forma desordenada, onde cada um pensa que os seus atos estão corretos e que os seus direitos lhe asseguram que possa fazer aquilo que quiser, pois o interesse primeiro, será sempre o dela, perdendo assim os valores e o respeito pelos direitos das outras pessoas.

e) O CARÁTER

Como vimos, o caráter vai influenciar na formação da personalidade dos condutores e pedestres.

O CONFLITO ENTRE PEDESTRES E CONDUTORES

Em algumas situações flagramos os condutores disputando espaço com os pedestres ou os pedestres disputando espaço com os veículos. Nessas situações e em outras mais, o que esta acontecendo é o conflito entre condutores e pedestres, o que há na verdade, em ambos os casos, é a falta de respeito mútuo levados pela falta de conhecimento sobre quem e em que momento tem a preferência, conhecimento dos deveres e proibições, o não tratamento do pedestre como infrator de trânsito, falta de segurança para os pedestres, desrespeito as leis de trânsito, falta de uma postura mais decidida do papel da escola na preparação do pedestre e em geral a falta de educação para o trânsito. Logicamente, tudo isso (ou a falta disso), faz com que esse conflito venha se agravando a cada dia, gerando e formando uma cultura totalmente distorcida e destrutiva, trazendo consequências maléficas para o próprio homem.

2) EMOCIONALMENTE DESEQUILIBRADOS

Quando as pessoas perdem o seu equilíbrio emocional, tendem a fazer coisas que normalmente não fariam, muitas vezes perdendo a razão. Pela sua complexidade e deficiências, o trânsito favorece, e muito, para que as pessoas extravasem suas emoções das mais diferentes formas, ocorrendo às vezes na presença de policiais ou agentes e até com eles. Isso acontecendo, não deve o usuário agravar a situação, manter a calma é importante nesses momentos, pois caso contrário, agirá de forma desequilibrada perdendo a razão, e não resolverá a situação, pelo contrário, só irá agravá-la ainda mais, devendo caso seja possível acalmar essas pessoas, procurando identificar a causa do desequilíbrio para poder então agir da melhor forma.

a) CONDUTORES ESTRESSADOS

Uma pessoa estressada, já esta emocionalmente desequilibrada, e várias são as causas que levam uma pessoa a ficar estressadas e várias podem ser as reações dessa pessoa. Consciente ou inconsciente de seu estado emocional, devemos sempre agir de forma educada e não "entrando na onda" dessas pessoas.

b) CONDUTORES EMBRIAGADOS OU DROGADOS

O comportamento desses condutores pode ser dos mais variados, podem estar calmos ou até ao estado incontrolável de agitação, devemos saber que além do estado emocional desequilibrado, o condutor não tem consciência dos seus atos, partindo disso, não devemos aliemntar muito a conversa e nem agir com violência, sadismo ou sarcasmo, cabendo às autoridades de policiamento e fiscalização de trânsito aplicar os procedimentos que o caso requer, ou seja, de acordo com as infrações penais e de trânsito.

c) IDOSOS

Talvez, a situação mais delicada que podemos encontrar no relacionamento com usuários, é a de um idoso emocionalmente desequilibrado. Ele pode estar incluído em qualquer um dos casos vistos até aqui, mas será diferente, porque a idade avançada influencia muito.

A experiência adquirida ao longo da vida ou o simples fato de ser bem mais velho que o outro condutor, faz com o idoso ache que tenha razão no seu pensamento ou argumentos ou que pelo menos deva ser aceito em razão da sua idade. É uma situação delicada, pois pode chamar a atenção dos transeuntes de forma negativa para você condutor, mesmo tenha a razão no conflito.