domingo, 1 de outubro de 2017

Joacine Katar Moreira*, Público
A atenção. “Attenção: Vende-se para o mato uma preta da costa de idade de quarenta e tantos anos, muito sadia e bastante robusta, sabe bem lavar e cozinhar o diário de uma casa, vende-se em conta por haver precisão, no beco Largo, n. 2. Na mesma casa vende-se uma tartaruga verdadeira.
O protesto. “Protesta-se com todo o rigor das leis contra quem tiver dado, e der coito a escrava do abaixo assignado, fugida de seo poder na freguezia do Queimado desde 7 de fevereiro do corrente anno; e gratifica-se, conforme a trabalho da captura, á quem a prender, e levar ao dito seo senhor ali, ou mete-la nas cadêas da capital. […] Levou uma filha de sua côr, que terá pico mais de anno de idade. O padre Duarte.
A fuga. “Escravo fugido. Acha-se fugido desde o dia 3 de março passado, o escravo de nome Joaquim, de nação Congo, edade 61 annos, mais ou menos, côr preta, cabelos brancos, tanto os da barba como os da cabeça, olhos grandes, bons dentes, bastante baixo, tendo o dedo grande da mão direita mutilado.
Estes excertos, expostos no Memorial da Escravatura e do Tráfico Negreiro, em Cacheu — importante entreposto comercial de escravizados na Guiné-Bissau —, ilustram a forma como as relações raciais, fruto do colonialismo e da Escravatura, passaram da “diferença negativa à coisificação do Africano” (Isabel C. Henriques), comparado, tratado e marcado como animal doméstico, de carga e de serviço, retirando-lhe toda e qualquer dignidade e submetendo-o às mais brutais violências e, com o tráfico negreiro, sujeito a uma desumanização de difícil equiparação na História mundial. A vida média de uma pessoa uma vez escravizada era, aliás, de dez anos, como observou António Carreira em Notas sobre o Tráfico Português de Escravos, de 1978.
O comércio transatlântico de pessoas escravizadas foi legal e sujeito a impostos como qualquer outra transação. A Igreja Católica suportou religiosa e moralmente a Escravatura, que tinha propósitos essencialmente comerciais e políticos. Mais tarde, a Revolução Industrial, cujo motor foi o algodão (Sven Beckert) — algodão este cultivado por gente escravizada nas Américas, como recordou Noam Chomsky —, originaria o fim legal do tráfico, mas não o da Escravatura, que servia a industrialização e o desenvolvimento a Ocidente por mais algum tempo. Marcus Rediker destaca a centralidade da Escravatura e do trabalho forçado no surgimento do capitalismo, considerando que “os navios negreiros foram o vector da produção das categorias de ‘raças’”. E é deste contexto que surge o que denominamos de racismo, uma opressão histórica, violência sistémica, uma relação de poder e de profunda desigualdade. E é por isso que o racismo está intrinsecamente, e historicamente, ligado à inferiorização dos negros (e não dos brancos).
Neste quadro, acreditar na existência de “racismo reverso”, ou seja, no racismo dos oprimidos para com os opressores, exigiria, como ironizou o comediante Aamer Rahman, que entrássemos numa máquina do tempo que revertesse a História e alterássemos as posições de poder. Mas não há forma de reverter a História, mesmo com tentativas várias de naturalizá-la, de negá-la ou de manipulá-la. Torna-se pois importante ter atenção ao tempo em que vivemos, onde se continua a insistir em paradigmas do passado, recusando-se mudanças estruturais.
Avalizar o “racismo reverso” é tentar boicotar o movimento anti-racista, silenciar as vozes negras e subalternizadas que legitimamente se levantam, tentando também reduzir o racismo a uma questão de “natureza humana”, portanto natural. Em tal equação toda a gente pode ser racista com toda a gente, esquecendo que nesse “toda a gente” há gente que oprime e gente que é oprimida; há gente que detém o poder e gente que luta pela visibilidade dentro das sociedades em que se encontra; e há gente que usufrui ainda hoje do privilégio da herança escravocrata e gente que, pelo contrário, carrega esse fardo, que se traduz na segregação racial, na pobreza e na exclusão social.

"Final de ano chegando e nós pedagogos ficamos louquinhos com tanto relatório para redigir, para dar uma mãozinha aos queridos professores do Fundamental, aqui estão alguns modelinhos de Parecer Descritivo ou Relatório Descritivo de Alunos. Espero que ajude! Divirtam-se!!!"
Adriane de Lima Barros
Considerando os objetivos trabalhados durante o 1º semestre do decorrido ano, foi possível constatar que a aluna Adriane de Lima Barros tem demonstrado um bom desempenho no que diz respeito à leitura e escrita. Lê com fluência qualquer tipo de texto, porém, apresenta certa dificuldade em fazer conexões da leitura com a realidade.
Foi observado que, no início do ano letivo, em ocasiões de atividades de produção textual, a aluna apresentou dificuldades em criar textos. Ocasionalmente escreve algumas palavras faltando letras, escrevendo por exemplo: agus para alguns; cando para quando; dento para dentro; entre outras.
É muito esforçada e sempre tem buscado mais informações sobre os assuntos apresentados em classe e apesar de ser um pouco inibida, expressa as suas opiniões sobre os conteúdos trabalhados.
Em Língua portuguesa, a aluna demonstrou certa dificuldade em identificar palavras com Hiatos, pois sempre as confundia com as palavras com ditongos. Outro conteúdo que ainda se mostra confuso para ela é identificar palavras com oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, no entanto, este assunto ainda está sendo trabalhado.
Em matemática, ela desenvolveu-se bem na maior parte dos conteúdos, realiza cálculos simples envolvendo adição, subtração e multiplicação, apresentado dificuldades apenas em organizar o números aleatórios em ordem crescente e decrescente, bem como em fazer a decomposição de números.
Apesar de ser um pouco tímida, a aluna se socializa muito bem com os demais colegas, sempre cooperando nas atividades em grupo e aceitando as sugestões da professora.
Possui uma excelente compreensão acerca da importância da preservação do meio ambiente para beneficiar as gerações futuras, tem adotado cuidados com o corpo e com o ambiente escolar.
A aluna demonstra uma ótima aptidão para as artes, pois em todos os trabalhos que realiza, é possível notar bastante dedicação e beleza.
Nas disciplinas que requerem muita interpretação textual, como ciências, geografia e história, a aluna apresenta lentidão em realizar as atividades, pois a mesma, por vezes, tem sentido dificuldades na interpretação dos enunciados, dificuldade esta, que vem sendo trabalhada ao longo do semestre e que tende a deixar de ser um agravante no processo de ensino e aprendizagem da aluna em questão.
É importante ressaltar que a aluna, apesar das dificuldades normais que tem enfrentado, apresenta-se como uma ótima educanda, é esforçada e determinada. Considerando os aspectos da aprendizagem, vale pontuar que a mesma tem avançado muito e tende a eliminar brevemente os pontos negativos apresentados neste relatório.



Allana Mayra da Silva Mesquita
            Analisando de forma processual o desempenho da aluna, foi possível considerar que a mesma está desenvolvendo-se pausadamente no processo de ensino e aprendizagem.
            Possui uma boa integração social com os colegas de classe é participativa nas atividades em grupo e que envolvem arte. É bastante carismática e sempre pronta em ajudar, aceita as opiniões dos colegas e professores, respeitando-os e mantendo boas relações com eles.
Apresenta algumas dificuldades de leitura e interpretação de texto. Costuma escrever palavras faltando letras. Algumas vezes escreve palavras que deveriam estar no plural só que faltado a letra S.
Desenvolve-se bem em operações matemáticas referentes a adição, valores relativo e absoluto, sistema de numeração decimal, centenas, milhar entre outros. Apresentando dificuldades em decompor números e fazer a devida composição dos mesmos e também em resolver problemas matemáticos, por conta da má compreensão dos enunciados.
PROGRESSÃO CONTINUADA E PROMOÇÃO AUTOMÁTICA
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Izabel Sadalla Grispino *
O sistema de “regime de progressão continuada” consiste na ampliação do ciclo básico que, desde 1984, era formado só de 1.ª e 2.ª séries. Passou em 1998, no Estado de São Paulo, para dois grandes ciclos no ensino fundamental: o de 1.ª à 4.ª série e o de 5.ª à 8.ª série.
O termo progressão continuada, num sentido amplo, aplica-se a toda educação, pois o ensino-aprendizagem precisa estar inserido numa progressão continuada de estudo. Sob o prisma da legislação, refere-se à formação de ciclos, num processo de conscientização de que o aluno não pode estacionar, tem que progredir continuadamente dentro de sua fase de desenvolvimento, de seu nível de conhecimento, de seu ritmo de aprendizagem, num processo de promoção automática, ou seja, a reprovação é substituída pela progressão continuada, em que os alunos são avaliados passo a passo, reportando-se a recuperações paralelas, reforço de estudos e, se necessário, à recuperação final, no período de férias.
A Secretaria Estadual da Educação, interpretando o artigo 24, em seu inciso II, alíneas a, b e c, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que criou a “reclassificação e a classificação”, resolveu dar chance de aprovação, tanto para alunos que obtiveram notas baixas o ano todo, quanto para os que não atingiram 75% de presença.