ESCOLA MUNICIPAL
PADRE GERMANO MAYER
Aluno:
_____________________________________________ 5° ano ____
AVALIAÇÃO
DE PORTUGUÊS –1º Bimestre
1) Leia o texto:
A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como
seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais:
era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar
aberta, vão embora para nunca mais voltar.
Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando
sentia saudades...
Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor.
Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde
voava.
Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de
plumas fofas como o algodão...
“ Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de
neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se
ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos
das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que eu vi, como
presente para você...”
E assim ele começava a cantar as canções e as
histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e
sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho
dourado na cabeça.
“ Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente
e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol
que não se apaga. Minhas penas ficaram como aquele sol e eu trago as canções
tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza
dos campos verdes.”
E de novo começavam as histórias.
A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem
parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isso voltava sempre. Mas
chegava sempre uma hora de tristeza.
“ Tenho de ir”, ele dizia.
“ Por favor,
não vá. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar...” E a menina fazia um
beicinho...
“— Eu também terei saudades” dizia o pássaro. “Eu
também vou chorar. Mas vou lhe contar um segredo: as plantas precisam da água,
nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da
saudade. É aquela tristeza, na espera da volta, que faz com que as minhas penas
fiquem bonitas. Se eu não for não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro
encantado. E tu deixarás de me amar.”
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava de
tristeza à noite, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites
que ela teve uma ideia malvada:
“— Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais
partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de
prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Finalmente
ele chegou, maravilhoso em suas novas cores, com histórias diferentes para
contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente,
para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a
abandonasse. E adormeceu feliz. Foi acordar de madrugada, com um gemido do
pássaro…
“— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o
encanto. As minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das histórias… Sem a
saudade, o amor irá embora…”
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por
se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro
ia ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e
os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio:
deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro
que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu
amigo…
Até que não mais aguentou. Abriu a porta da gaiola.
“— Pode ir, pássaro. Volte quando quiseres…”
“— Obrigado, menina. É, eu tenho de partir. E
preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar.
Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro da gente. Sempre
que você ficar com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com
saudade, você ficará mais bonita. E você se enfeitará para me esperar…”
A menina e o pássaro encantado,