segunda-feira, 18 de dezembro de 2017


Atividades para alfabetizar
Construtivismo na prática!
Sequências didáticas para fazer o aluno avançar nos diferentes níveis:
-pré-silábico
-silábico
-silábico-alfabético
-alfabético
 Para começar
Um desafio e tanto
Ensinar a ler e a escrever, hoje, é algo completamente novo. Não é raro encontrar professores que tenham sido alfabetizados por um sistema, tido contato com outro durante a faculdade, ao se tornarem educadores dessa área, se deparado com um terceiro método.
Para ensinar com qualidade, você já deve ter percebido que é fundamental se adaptar rapidamente a tantas mudanças, além de buscar fundamentação teórica e prática, garantindo estratégias adequadas para o sucesso escolar de seus pequenos. No contexto do construtivismo, a alfabetização parte dos usos da leitura e da escrita que a criança fará em seu cotidiano, e não mais apenas do domínio da escrita alfabética, o que implica que todo o processo seja feito de modo diferente - e,, para isso, é preciso conhecê-lo muito bem.
Hipóteses de escrita
O novo processo de alfabetização só é possível com a participação ativa dos alunos, que constroem seus próprios conceitos sobre a escrita. A meditação do adulto também é essencial, e deve em consideração os conhecimentos prévios das crianças e a hipótese de escrita em que cada uma encontra. Veja, nas paginas a seguir, exemplos de atividades para cada etapa da construção alfabética de seus alunos. Adapte e aproveite!
Nível pré-silábico
A escrita pré-silábica se caracteriza pela não correspondência entre as letras e os sons das palavras. Ao nomearem um animal ou objeto nessa fase, os pequenos escrevem uma série de letras desconexas, e depois as leem sem fazer nenhum tipo de análise. As letras conhecidas, como as do próprio nome da criança, por exemplo, servem como referência para suas tentativas de escrita: isso acontece porque elas ainda não conseguiram perceber que palavras diferentes não podem ser escritas da mesma maneira.
Nesta etapa, os pequenos também costumam relacionar o tamanho do objeto que ela representa, utilizando, por exemplo, muitas letras para escrever “boi” e poucas para “formiga”.
A fase pré-silábica pode ser dividida em dois momentos:
*   No primeiro, os alunos conseguem distinguir um desenho de uma escrita, reconhecendo o que é possível ler.
*   No segundo, organizam dois conceitos importantes para o processo de alfabetização: que é necessário um mínimo de letras para formar uma palavra inteligível e que, para a escrita, não se deve utilizar caracteres aleatoriamente.

ATIVIDADES PARA TODOS OS NÍVEIS DE ESCRITA

Nível Pré-Silábico
- Estar imersa em um ambiente rico em materiais (tanto na variedade dos suportes gráficos quanto na diversidade dos gêneros dos textos), sendo espectadora e interlocutora de atos de leitura e escrita;
- tomar contato com todas as letras, palavras e textos simultaneamente;
- ouvir, contar e escrever histórias;
- memorizar globalmente as palavras significativas (seu nome, nome dos colegas, professora, pais, etc.);
- analisar a constituição das palavras quanto à letra inicial, final, quantidade de letras, letras que se repetem, letras que podem ou não iniciar palavras, letras que podem ocupar outras posições nas palavras;
- Observar os aspectos sonoros através das iniciais das palavras significativas;
- analisar a distribuição espacial e a orientação da frase.
-atividades permanentes:
Cantar parlenda suco gelado apresentando e recitando as letras do alfabeto.
Formar nome próprio e dos amigos com letras móveis
Ler a chamadinha
-Associar palavras e objetos;
-Memorizar palavras globalmente;
-Analisar palavras quanto ao número de letras, inicial e final;
-Distinguir letras e números;
-Familiarizar-se com os aspectos sonoros das letras através das iniciais de palavras --significativas;
-Relacionar discurso oral e texto escrito;
-Distinguir imagem de escrita;
-Observar a orientação espacial dos textos;
-Produzir textos pré-silabicamente;
-Ouvir e compreender histórias;
-Identificar letras e palavras em textos de conteúdo conhecido.

5.1. Reflexões sobre o Processo de Alfabetização de
       Alunos Ouvintes numa Abordagem Construtivista

    Emília Ferreiro e colaboradores desenvolveram uma teoria de alfabetização que deixa de se fundamentar nos aspectos mecanicistas para seguir os pressupostos construtivistas - interacionistas de PIAGET e VIGOTSKI, onde o eixo principal do processo deixa de ser o ato de ensinar para se fixar no ato de construir, passando o educando a ser visto com um sujeito com um sujeito que constrói seu conhecimento, tornando-se capaz de agir sobre o mundo, transformando-o e, conseqüentemente, exercendo de forma plena sua cidadania.
    Dentro desta abordagem, termos como “prontidão” e “imaturidade” deixam de fazer sentido. A estimulação dos aspectos motores, cognitivos e afetivos de forma isolada e desarticulada da realidade da realidade sócio-cultural do educando são considerados prejudiciais. Cada um destes fatores é importante para construção do conhecimento, mas não se pode admiti-los separadamente.
    Para Ferreira, “hoje a perspectiva construtivista considera a interação de todos eles, numa visão política, integral para explicar a aprendizagem”.
    A questão dos diferentes níveis, nas salas de aula, deixa de ser característica negativa para assumir papel de importância no processo ensino-aprendizagem, onde a interação entre os alunos é fator imprescindível. Na alfabetização, as diferenças individuais e o ritmo são entendidos a partir dos níveis estruturais da aprendizagem da escrita, que, segundo Emília Ferreiro são:
    a)  Nível Pré-Silábico
    Neste nível a escrita é alheia a qualquer busca de correspondência com o som. Interessa ao aluno considerações como tipo e quantidade de grafismo. Neste nível o aluno:
- tenta a diferenciação entre desenho e escrita:
- reproduz os traços típicos da escrita, conforme seu contato com as formas gráficas, (cursivas ou imprensa), elegendo a mais familiar para utilizar em sua grafias;
- utiliza a grafia do seu nome para retirar elementos para escrita de outras palavras;
- concebe a hipótese de utilizar, no mínimo, duas ou três letras para poder formar palavras;
- percebe a necessidade de variar os caracteres para obter palavras diferentes.
    b) Nível Silábico
    Este nível subdivide-se em Silábico e Silábico Alfabético.
- Silábico: A criança (ouvinte) compreende que as diferenças de representações escritas se relacionam com as diferenças na pauta sonora das palavras. Surge a necessidade de utilizar uma grafia para cada som, fazendo uma utilização aleatória dos símbolos gráficos, empregando ora letras “inventadas”, ora apenas consoantes, ora vogais repetindo-as conforme o número de sílabas das palabras;
- Silábico Alfabético: Neste estágio de desenvolvimento da escrita, coexistem as formas de fazer corresponder os sons às formas silábica e alfabética, que induz a uma escolha de letras de forma ortográfica ou fonética.
    Ex.: SAPATO = SAPATO (ortográfica)
           SAPTU =SAPATO (fonética)
    c) Nível Alfabético
    É o último nível na aprendizagem da escrita. Momento em que o aluno chega aos seguintes entendimentos:
  • A sílaba não pode ser considerada uma unidade, podendo ser desmembrada em elementos menores;
  • A identificação do som não garante a identificação da letra, gerando as dificuldades ortográficas;
  • Para proceder a escrita é necessário a análise fonética das palavras.
    Após esta revolução conceitual a respeito da aprendizagem da escrita, faz-se mister que a dinâmica pedagógica também se revolucione. Assim, as atividades devem ser organizadas de modo a desafiar o pensamento dos educandos, gerando conflitos cognitivos que os façam repensar e reorganizar as idéias para alcançar novas resposta. Os conteúdos a serem assimilados surgem a partir de temas de interesse surgem da própria realidade do aluno, de suas necessidades, de seus problemas e de sua curiosidade sobre o que vê na comunidade, nos meios de comunicação, na família, etc. A relação professor/aluno dever basear-se no respeito mútuo, na cooperação, na troca de pontos de vista e numa crescente autonomia do educando.
    Desta forma, o professor, para se tornar construtivista, precisa desenvolver a habilidade de, respeitando o nível de desenvolvimento do educando, seus interesses e aptidões, acompanhar o seu raciocínio sem cortá-lo ou limitá-lo com perguntas ou orientações que impõem outra direção ao pensamento infantil, desviando-o do caminho que deseja ou a que pode chegar.