domingo, 20 de novembro de 2011

Deve-se ou não recompensar as crianças?

Pais interessados na educação financeira de seus filhos costumam perguntar: deve-se ou não recompensar as crianças pela realização de tarefas domésticas ou pelo bom desempenho na escola?

Indo direto ao ponto, sou contrário a recompensar, de maneira condicional e sistemática, às crianças pela realização de tarefas simples como guardar os próprios brinquedos, retirar sua própria louça da mesa, dobrar suas roupas ou colocar os calçados no armário.

Também não acho que devam ser “remuneradas” eventuais colaborações nas tarefas domésticas como colocar o lixo na lixeira, ajudar a secar o piso, lavar a louça ou varrer a calçada. Obviamente cada família tem seu estilo e suas necessidades. Devemos pensar nos exemplos apresentados apenas como conceitos, adaptáveis à cada realidade.

Condicionar o pagamento da mesada ou de prêmios ao desempenho escolar e à realização dos deveres pode ser ainda mais prejudicial. Atitudes assim podem contribuir para o desenvolvimento de uma personalidade mercenária e gerar uma sensação de não pertencer à própria família, ou seja, a única motivação pode vir da remuneração, não da qualidade de sentir-se parte, de sentir-se responsável também pelo bem-estar e bom ambiente familiar.

Mas isso não significa que não se possa ou deva premiar ou eventualmente remunerar as crianças, como forma de expressar o reconhecimento. Afinal, muitos adultos são motivados pelo dinheiro e são felizes assim, à sua maneira. Também as crianças podem motivar-se com isso, de maneira complementar.

É preciso ficar atento para que a remuneração – dinheiro, brinquedos, passeios, roupas, etc., não assumam um papel maior do que o devido. Mas podem sim auxiliar na motivação ou no direcionamento de algumas tarefas. Um passeio ou presente adicional para o bom aluno pode fazer a criança sentir-se reconhecida, motivada – um reforço ao bom caminho que já vinham trilhando.

Uma criança que tenha constantemente um bom comportamento não teria a sua educação ou formação prejudicadas, se os pais demonstrarem reconhecimento por meio de algum tipo de recompensa, seja ela na forma de carinho, dinheiro ou outro bem material. 

Lembrando que isso não deve ser condicional nem regular. Também não é recomendável que seja por fatos isolados ou por períodos de curta duração. Premiar por tirar boa nota em uma única prova é completamente diferente de premiar por manterem média elevada e responsabilidade constante. No segundo caso creio haver mais benefícios do que prejuízos.

Enfocando especificamente a educação financeira, dentro do contexto amplo da educação, esta relação de prêmios/punições pode ser mais direta. Conheci uma família 

Crianças vestidas como adultas. isso pode?


Muitas mães procuram espelhar em suas filhas seus próprios gostos, e acabam colocando roupas, acessórios, maquiagem, como se suas crianças de 2, 3, 7 anos, já estivessem na fase adolescente. Vestir-se fora do padrão para a idade muitas vezes não é um desejo só da mãe, mas da própria criança.
O uso de esmalte, batom, sombra, sapatinhos de salto e bolsa, pode até ser encarado como saudável, como brincadeira, mas passa do limite quando a criança e a mãe não conseguem adequá-los a idade. É vulgar crianças usarem batons e esmaltes escuros eacessórios desproporcionais ao tamanho da criança. Atualmente existem acessórios de muito bom gosto para as meninas mais vaidosas, de cores delicadas e com temas pertinentes a faixa etária que complementam o visual sem transformar a menina em uma miniatura da mãe.
Algumas marcas de bom gosto conseguem inclusive fazer roupas diferenciadas para as mães e as filhas com a mesma estampa. O bom senso é fundamental para esses casos. Saltos, sombras e colares exagerados enchem os olhos das meninas e podem ser acessíveis numa brincadeira de faz-de-conta em casa ou na escola, mas não em um passeio ou festa.
É importante lembrar também que vaidades como depilação, alisamentos e cremes em geral não devem ser utilizados em crianças. Envolvem produtos químicos e nunca devem ser utilizados sem prescrição médica. Sobrancelhas mais grossas, cabelos enrolados e outras características da criança nunca devem ser alterados. Ela precisa aceitar-se e achar linda as suas características, mesmo que ao se tornar adulta venha a mudar. A criança precisa de autoestima, e ela começa com a aceitação de si mesma.
Raras exceções, como penteados com cachos ou chapinha em casamentos ou para completar alguma fantasia especial devem ser utilizadas como momentos e não como regras, desde que não sejam feitos com produtos químicos.
O mais importante é que a criança poderá brincar de adulto e voltar atrás, sendo criança, afinal essa fase não voltará, então deve ser vivenciada com alegria e intensidade, pois o pulo dessa etapa tão importante pode gerar mulheres loucas de vontade de vestir-se como crianças... O melhor realmente é curtir cada fase na sua hora!
Michelle Maneira é pedagoga, com pós-graduação em psicopedagogia e especialização em tecnologias educacionais, professora de educação infantil da rede pública.


50 questões básicas sobre Construtivismo Revista NOVA ESCOLA Março de 1995



50 questões básicas sobre
Construtivismo
Revista NOVA ESCOLA
Março de 1995
1 — O que é o construtivismo?
É o nome pelo qual se tomou conhecida uma nova linha pedagógica que vem ganhando terreno nas salas de aula há pouco mais de uma década. As maiores autoridades do construtivismo, contudo, não costumam admitir que se trate de uma pedagogia ou método de ensino, por ser um campo de estudo ainda recente, cujas práticas, salvo no caso da alfabetização, ainda requerem tempo para amadurecimento e sistematização.
2- Em que se distingue a pedagogia construtivista, em linhas gerais?
O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. Rejeita a apresentação de conhecimentos prontos ao estudante, como um prato feito, e utiliza de modo inovador técnicas tradicionais como, por exemplo, a memorização. Daí o termo "construtivismo", pelo qual se procura indicar que uma pessoa aprende melhor quando toma parte de forma direta na construção do conhecimento que adquire. O construtivismo enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. O construtivismo condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.
3 — Com base em que o construtivismo adota tais praticas?
Com base nos estudos do psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980),. a maior autoridade do século sobre o processo de funcionamento da inteligência e de aquisição do conhecimento. Piaget demonstrou que a criança raciocina segundo estruturas lógicas próprias. que evoluem conforme faixas etárias definidas, e são diferentes da lógica madura do adulto. Por exemplo: se uma criança de 4 ou 5 anos transforma uma bolinha de massa em salsicha. ela conclui que a salsicha. por ser comprida, contém mais massa do que a bolinha. Não se trata de um erro, como se julgava antes de Piaget, mas de um raciocínio apropriado a essa faixa etária. O construtivismo procura desenvolver práticas pedagógicas sob medida para cada degrau de amadurecimento intelectual da criança.
4 — Piaget criou o construtivismo?
Nada mais falso. Ao contrário do que muitos imaginam, ele nunca se preocupou em formular uma pedagogia: dedicou a vida a investigar os processos da inteligência. Outros especialistas é que se valeram das suas descobertas para desenvolver propostas pedagógicas inovadoras.